Salzburger Tageblatt - Ucranianos aproveitam trégua para fugir de cidade ocupada por Moscou

Ucranianos aproveitam trégua para fugir de cidade ocupada por Moscou
Ucranianos aproveitam trégua para fugir de cidade ocupada por Moscou / foto: - - Facebook Official account of Kyrylo Budano/AFP

Ucranianos aproveitam trégua para fugir de cidade ocupada por Moscou

Alguns moradores de Oleshki, uma cidade no sul da Ucrânia ocupada pela Rússia e devastada pela escassez de alimentos e medicamentos, deixaram o local nesta sexta-feira (30) durante um cessar-fogo excepcional negociado pelos Estados Unidos.

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Nessa localidade, ocupada pela Rússia em 2022, os habitantes enfrentaram durante meses a escassez de comida, água e medicamentos. Alguns chegaram a ser obrigados a caçar e comer pombos, relataram moradores à AFP.

Desde terça-feira, está em vigor na cidade um cessar-fogo humanitário anunciado na semana passada pela primeira-dama dos Estados Unidos, Melania Trump, que deve terminar no domingo.

Autoridades da Ucrânia e da Rússia chegaram na sexta-feira a Oleshki para supervisionar a evacuação da população, que passou de 24 mil habitantes antes da guerra para cerca de 2 mil atualmente.

Após várias horas no local, os dois lados afirmaram ter partido em comboios com moradores: alguns seguiam para a Rússia, enquanto outros iniciavam uma viagem de volta às áreas da Ucrânia controladas por Kiev, passando pela Rússia e por Belarus.

"A delegação ucraniana, juntamente com os moradores evacuados de Oleshki, partiu em direção a Anapa [no sul da Rússia]. De lá, eles voarão para Belarus e, em seguida, viajarão [para a Ucrânia] de ônibus", explicou no Telegram o negociador ucraniano David Arakhmia, sem informar quantas pessoas foram evacuadas.

Moscou afirmou que a operação foi concluída "sem nenhum incidente".

Anteriormente, a defensora dos direitos humanos da Rússia, Yana Lantratova, havia publicado um vídeo no qual várias pessoas aguardavam para embarcar em ônibus.

"Tudo correu bem", acrescentou, destacando que 25 ônibus e nove ambulâncias foram mobilizados para as evacuações.

Nenhum dos lados informou quantas pessoas deixaram a cidade.

Em seu quarto dia, o cessar-fogo nessa cidade representa a pausa mais longa nos combates em qualquer ponto da linha de frente desde que a Rússia invadiu a Ucrânia, em 2022.

O ombudsman de direitos humanos da Ucrânia, Dmitro Lubinets, publicou vídeos em que aparece conversando com moradores locais. Vários deles agradeceram a ele em meio às lágrimas.

Também foram vistos grupos de moradores esperando em frente a seus edifícios, com malas, prontos para partir.

"Passamos por tantas coisas aqui nesses cinco anos", disse uma mulher em imagens exibidas pela televisão ucraniana.

"Se tivéssemos saúde, talvez ficássemos lá um pouco mais, mas chega. Só queremos estar com nossos filhos", disse outra mulher, mais velha, que se preparava para ser evacuada.

- Ataques a refinarias -

Outras tréguas parciais foram marcadas por acusações de violações, como as decretadas ocasionalmente durante a Páscoa ortodoxa.

No entanto, este cessar-fogo se aplica apenas a Oleshki. Os ataques continuam em outras regiões.

Na quinta-feira, um ataque de drone contra uma estação ferroviária na cidade de Dnipro, no centro da Ucrânia, deixou pelo menos 15 mortos, enquanto um bombardeio contra a cidade de Chernihiv, no norte do país, matou dois adolescentes.

A Rússia, por sua vez, afirmou que a Ucrânia retomou seus ataques contra refinarias de petróleo russas após uma breve pausa, na sequência das críticas do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, à campanha de bombardeios.

Vídeos publicados em canais russos do Telegram mostraram colunas de fumaça subindo de uma refinaria de petróleo na região russa de Samara, após um ataque de drones durante a noite.

Trump vem pressionando Kiev há várias semanas para que interrompa esse tipo de ataque, ao qual atribui a alta dos preços do diesel.

Os últimos ataques ocorrem em um momento em que Rússia e Ucrânia têm previsão de se reunir no próximo mês com enviados dos Estados Unidos nos Emirados Árabes Unidos, em uma tentativa de retomar as negociações para pôr fim ao pior conflito na Europa desde a Segunda Guerra Mundial.

Ainda não foi definida uma data para a reunião em Abu Dhabi, mas o presidente ucraniano, Volodimir Zelensky, afirmou que a Ucrânia deseja que ela aconteça antes das possíveis conversas trilaterais entre os líderes da Rússia, dos Estados Unidos e da China.

G.Gaertner--SbgTB