Ataques russos em plena luz do dia deixam sete mortos em Kiev
Ao menos sete pessoas morreram nesta sexta-feira (25) em Kiev em ataques russos realizados em plena luz do dia, afirmou a Ucrânia, horas antes de o presidente russo, Vladimir Putin, indicar que não pretende retomar o diálogo por enquanto.
As explosões em Kiev levaram muitos a correr em busca de abrigo. Outros, porém, continuaram andando quase sem reagir, observou um jornalista da AFP.
"O número de mortos na capital subiu para sete. Até o momento, 46 moradores de Kiev ficaram feridos", declarou o prefeito da cidade, Vitali Klitschko.
Pouco depois, o prefeito de Kiev, Vitali Klitschko, disse que quatro pessoas morreram e sete ficaram feridas em um ataque com um drone contra um prédio de escritórios.
Horas antes, um adolescente de 14 anos perdeu a vida quando um drone se chocou contra um prédio residencial no que o presidente ucraniano, Volodimir Zelensky, chamou de "bombardeio absolutamente selvagem e repugnante, carente de toda lógica militar".
Vários moradores se reuniram em volta do prédio impactado, constataram jornalistas da AFP. Os apartamentos localizados no 9º e no 10º andares ficaram escurecidos pelo incêndio.
Antes, Moscou costumava realizar seus ataques à noite, mas agora, cada vez mais, ataca Kiev em plena luz do dia.
Para Alisa Boiko, uma das moradoras do edifício atacado nesta sexta-feira, os objetivos da Rússia são claros: buscam "nos atormentar" para que "todo mundo seja afetado, de uma forma ou de outra".
Outro morador, Mikita Sisoyev, um analista de sistemas de 23 anos, disse ter acordado com o barulho da explosão, mas que se deu conta de que o prédio impactado era o seu quando viu o noticiário.
"É estranho: por um lado, me acostumei a isso, mas por outro, tem gente morrendo constantemente", comentou ele do lado de fora do imóvel, enquanto fumava um cigarro.
Ao ser perguntado sobre o aumento de ataques com drones, disse: "Isto é uma corrida tecnológica e uma guerra tecnológica... Infelizmente, as pessoas vão sofrer enquanto buscamos soluções".
- "Decisão final" -
Nos últimos tempos, a Rússia tem intensificado seus ataques contra a capital com drones de última geração, que escapam com mais facilidade das defesas ucranianas, e também com mísseis balísticos, que a força antiaérea de Kiev tem dificuldades para interceptar.
Os interceptores PAC-3 para os sistemas Patriot são os únicos capazes de destruir os potentes mísseis balísticos russos, segundo os especialistas.
Zelensky tem reivindicado incessantemente apoios para reforçar sua defesa aérea, sobretudo com sistemas de mísseis interceptores Patriot, e voltou a fazê-lo esta semana, durante sua última viagem aos Estados Unidos.
"Durante nossa última reunião, o presidente [americano, Donald] Trump me confirmou que sim, que tinha tomado sua decisão final: a Ucrânia vai receber licenças para a produção de mísseis Patriot", disse o presidente após ter se reunido esta semana com ele em Nova York.
No começo de julho, Trump deixou escapar que iriam conceder essas licenças à Ucrânia, mas semanas depois pareceu voltar atrás ao afirmar que os Estados Unidos deveriam ser "muito cautelosos".
A Ucrânia diz sofrer uma grave escassez de interceptores Patriot desde que Estados Unidos e Israel entraram em guerra com o Irã, em fevereiro.
Mesmo assim, o secretário de Estado americano, Marco Rubio, destacou no começo de setembro que, embora tenham sido concedidas licenças para que Kiev fabrique os Patriot em seu território, isso não significaria uma "solução imediata" para os problemas que a Ucrânia enfrenta.
Na região de Odessa, no sul do país, outra pessoa morreu em um ataque contra dependências do serviço dos correios, segundo as autoridades.
- Putin avalia retomada do diálogo -
Na região russa de Belgorod, um ataque ucraniano com drones contra um carro matou um casal, segundo as autoridades locais.
Em declarações a jornalistas nesta sexta-feira, Putin afirmou que Moscou reavaliará a possibilidade de retomar as negociações após os recentes ataques de cerca de 1.600 drones ucranianos contra o país em 20 de setembro, último dia das eleições legislativas.
"As propostas para retomar as negociações, sim, estão todas sobre a mesa e tudo é possível, mas, depois de tudo o que fizeram, refletiremos cuidadosamente sobre quais passos devemos dar em resposta", declarou Putin.
G.Gaertner--SbgTB