Trump afirma que EUA e Israel adiarão ataques contra o Irã
O presidente Donald Trump afirmou que Estados Unidos e Israel concordaram em adiar novos ataques contra o Irã, desde que um acordo seja alcançado rapidamente para acabar com a guerra no Oriente Médio, uma afirmação desmentida neste domingo (2) por uma agência de notícias iraniana.
O temor de uma nova escalada do conflito aumentou depois das ameaças de Trump de atacar o Irã "com muita força" e de notícias na imprensa americana de que ele cogitava novos ataques, inclusive contra instalações do setor de energia.
O presidente americano, no entanto, pareceu recuar depois de conversar com o príncipe-herdeiro da Arábia Saudita, um aliado crucial de Washington no Oriente Médio, e depois que Teerã também se comunicou com Riade e com os mediadores Paquistão e Turquia.
Em uma publicação no sábado em sua plataforma Truth Social, Trump insistiu que os Estados Unidos estavam "prontos" para atacar a República Islâmica em níveis "nunca vistos desde a Segunda Guerra Mundial", mas que o Irã e outros países do Oriente Médio haviam pedido "para adiar qualquer ataque".
"Com base neste pedido, concordei... em cancelar o ataque" com a condição de "alcançar rapidamente" um acordo, completou.
Neste domingo, porém, a agência de notícias iraniana Mehr afirmou que o anúncio de Trump era "mais uma mentira" e destacou que as Forças Armadas iranianas estavam "em alerta máximo e prontas para qualquer eventualidade".
A imprensa estatal iraniana informou que os ministros das Relações Exteriores da Arábia Saudita e do Irã conversaram por telefone e que Teerã também abordou com o Paquistão e a Turquia "o risco de uma escalada das tensões e da insegurança na região".
A agência de imprensa oficial saudita SPA informou que o príncipe-herdeiro Mohammed bin Salman conversou por telefone com Trump e "ressaltou a necessidade de dar prioridade ao diálogo para reduzir as tensões e a importância de mobilizar todos os esforços possíveis para alcançar uma trégua que abra caminho para soluções diplomáticas".
- Ormuz e ameaça nuclear-
Trump escreveu no sábado que o eventual acordo teria que incluir a "Imediata, Completa e Total ABERTURA DO ESTREITO DE ORMUZ e o fim da ameaça nuclear do Irã". E garantiu que Israel "se soma a esse compromisso".
Após mais de cinco meses de guerra, iniciada em 28 de fevereiro, quando Estados Unidos e Israel bombardearam o Irã, não se vislumbra um fim para o conflito.
Um acordo de cessar-fogo anterior, que incluía a reabertura do Estreito de Ormuz, fracassou e, desde então, o Irã reforçou o controle sobre esta rota marítima crucial para o comércio mundial de petróleo e gás. Além disso, os dois países voltaram a trocar ataques nas últimas semanas.
Outra agência de notícias iraniana, Fars, citando "uma fonte próxima à equipe de negociação nuclear", afirmou que "enquanto os Estados Unidos prosseguirem com suas ações hostis, o Estreito de Ormuz continuará fechado".
A retomada das hostilidades provocou o aumento dos preços internacionais do petróleo, que registraram queda durante o cessar-fogo inicial.
A disputa acontece a apenas três meses das eleições de meio de mandato nos Estados Unidos, nas quais o Partido Republicano de Trump pode perder o controle do Congresso.
- Frente no Mar Vermelho -
Antes do anúncio de Trump no sábado, as embaixadas dos Estados Unidos no Oriente Médio recomendaram que os cidadãos americanos considerem a possibilidade de deixar a região diante de uma possível "escalada" do conflito.
Irã e Estados Unidos retomaram os ataques em julho, após vários dias de pausa nos combates, mas não foram registrados ataques entre sexta-feira e domingo.
O Egito sofreu na quarta-feira um ataque pela primeira vez desde o início da guerra. Um drone atingiu dois navios de transporte de gás, um deles operado por uma empresa americana, no porto de Damieta.
Além disso, um "projétil desconhecido" atingiu um petroleiro na costa de Omã, informou no sábado uma agência marítima britânica.
O Irã exige que os navios obtenham permissão e paguem tarifas de trânsito para atravessar Ormuz. A empresa de rastreamento do comércio marítimo Kpler informou na sexta-feira que o tráfego pelo estreito registrou queda expressiva.
A guerra tem uma nova frente no Mar Vermelho, onde os rebeldes houthis do Iêmen, apoiados pelo Irã, anunciaram um bloqueio dos portos sauditas e reivindicaram ataques contra petroleiros e instalações petrolíferas do reino.
As medidas ameaçam a circulação pelo Estreito de Bab el-Mandeb, que liga o Mar Vermelho ao Oceano Índico e, através do Canal de Suez, ao Mediterrâneo, de importância crescente como rota de trânsito do petróleo saudita.
L.Sailer--SbgTB