Bombardeio russo com mísseis dizima uma família na Ucrânia
Uma família foi dizimada na Ucrânia por um bombardeio com mísseis que destruiu sua casa, uma tragédia que levou o governo de Kiev a insistir na necessidade de que seus aliados forneçam mais sistemas de defesa antiaérea.
Mais de quatro anos após o início da ofensiva da Rússia contra a Ucrânia, os esforços diplomáticos continuam estagnados, e ambos os lados intensificam seus ataques de longo alcance, com um número crescente de vítimas civis.
Um dos mísseis disparados pela Rússia na madrugada desta quinta-feira (30) atingiu uma casa em um vilarejo próximo à cidade ucraniana de Kryvyi Rih, no centro do país, onde morreram seis integrantes de uma mesma família, entre eles duas meninas de 5 e 12 anos.
Além disso, teme-se que outras quatro pessoas, também parentes, tenham morrido, mas elas ainda não foram formalmente identificadas.
"Era uma casa comum, totalmente destruída por um míssil balístico", lamentou nesta quinta-feira o presidente ucraniano, Volodimir Zelensky.
Mais tarde, em seu pronunciamento noturno, Zelensky afirmou suspeitar que o projétil tenha sido fornecido à Rússia pela Coreia do Norte, mas indicou que ainda são necessárias mais perícias.
"Tudo será verificado, mas, por enquanto, trata-se de armamento balístico norte-coreano", declarou o presidente.
Segundo as autoridades ucranianas, a Rússia lançou, entre a noite de quarta-feira e a madrugada desta quinta-feira, um total de 74 mísseis e 284 drones.
A Força Aérea ucraniana afirmou ter interceptado 55 mísseis e 265 drones russos.
Além dos seis mortos em Kryvyi Rih, uma pessoa morreu em Kiev, a capital, e outra na região oriental de Poltava. Na cidade ocidental de Lviv, os ataques deixaram um morto e cinco feridos.
Segundo o Ministério da Defesa da Rússia, suas forças tiveram como alvo um complexo militar-industrial, sistemas de comunicações militares e centros logísticos ucranianos.
- "Quero viver" -
Mais de 56 mil pessoas se refugiaram nas estações de metrô de Kiev para se proteger das bombas.
Galina Doschuk, de 27 anos, afirmou que vai para os abrigos sempre que recebe informações sobre um ataque iminente. "Quero viver (...) mas às vezes nosso vizinho se interpõe", disse a jovem fotojornalista, em referência à Rússia. "Mas seguimos lutando".
Zelensky advertiu na quarta-feira que havia uma "alta probabilidade" de que a Rússia lançasse um ataque potente durante a noite.
O presidente do Conselho Europeu, António Costa, denunciou os ataques "maciços" contra a Ucrânia, nos quais afirmou que Moscou violou o espaço aéreo da Polônia. A Rússia "constitui uma ameaça para a segurança de toda a Europa", avaliou.
Autoridades da Polônia informaram ter encontrado em seu território uma cratera de 10 metros de largura em um terreno, possivelmente causada por um projétil, após os ataques russos contra a Ucrânia.
Drones russos já foram detectados anteriormente sobre o espaço aéreo polonês. Nas últimas semanas, a Rússia intensificou seus ataques com mísseis balísticos, que apenas os sistemas americanos Patriot são capazes de derrubar.
A Ucrânia enfrenta uma grave escassez de interceptores PAC-3, situação que se agravou desde a guerra lançada pelos Estados Unidos e por Israel contra o Irã em fevereiro.
"Levando em conta a crítica escassez de mísseis de defesa aérea de nossos aliados, nossos guerreiros estão conseguindo coisas realmente incríveis", declarou Zelensky.
O mandatário ucraniano conversou na terça-feira com seu homólogo americano, Donald Trump, sobre defesa antibalística e sobre a possibilidade de que a Ucrânia fabrique os mísseis interceptores Patriot.
Ao longo da guerra, a Ucrânia desenvolveu formas de se defender de drones e mísseis russos, mas os mísseis balísticos, de alta velocidade, são mais difíceis de interceptar.
Dos mais de 120 mísseis balísticos disparados neste mês pela Rússia, a Ucrânia derrubou menos de um terço, segundo a Força Aérea de Kiev. Por outro lado, a taxa de interceptação de drones é de cerca de 90%.
E.Mader--SbgTB