Salzburger Tageblatt - Byanca Brasil: da depressão à final da Libertadores feminina

Byanca Brasil: da depressão à final da Libertadores feminina
Byanca Brasil: da depressão à final da Libertadores feminina / foto: Rodrigo BUENDIA - AFP

Byanca Brasil: da depressão à final da Libertadores feminina

Capaz de desmontar defesas inteiras com dribles letais, Byanca Brasil marcou mais gols do que qualquer outra jogadora na Copa Libertadores feminina de 2026. Mas ela quer mais: neste sábado (31), a atacante vai em busca do primeiro título continental do Cruzeiro, clube que a ajudou a se reerguer quando uma depressão profunda a derrubou.

Tamanho do texto:

A camisa 10 das 'Cabulosas' raramente passa despercebida em campo. Suas tranças, enfeitadas com fitas azuis e brancas, as cores do time de Belo Horizonte, contrastam com o verde do gramado toda vez que ela tem a bola nos pés.

Mas o visual é apenas um detalhe para a artilheira de 30 anos. Sua ameaça na área é levada muito a sério pelo Corinthians, adversário do Cruzeiro na final que será disputada em Quito, campeão das três últimas Libertadores.

"É uma líder nata, muito profissional e muito engraçada (...), está em um momento de pura sinergia com toda a equipe e isso a coloca no seu melhor futebol", disse à AFP o técnico da equipe celeste, Jonas Urias.

Diferentemente de parte de suas companheiras, que disputam sua primeira Copa, a atacante carioca já sabe o que é conquistar a América do Sul.

Com dois títulos da Libertadores após passagens por Corinthians e Palmeiras, Byanca é a artilheira da edição de 2026 com cinco gols em cinco jogos.

Além disso, ela protagonizou feitos marcantes na capital do Equador pelo Cruzeiro, estreante na competição: o primeiro gol das 'Cabulosas' em uma Libertadores e seu memorável hat-trick na vitória por 3 a 0 sobre o Bolívar, na fase de grupos.

- "O maior troféu" -

Na primeira final continental do Cruzeiro, Byanca terá uma última oportunidade de ampliar a vantagem sobre as outras duas concorrentes ao posto de artilheira, as corintianas Vic Albuquerque e Duda Sampaio, que têm quatro gols.

"Impossível descrever o quão especial é fazer história com essa camisa. Vamos juntos em busca do nosso maior objetivo, Nação Azul! ESTAMOS NA FINAL!", escreveu a jogadora em sua conta no Instagram após a classificação para a decisão da Libertadores.

Nascida no Rio de Janeiro, Byanca combina a exigência do alto rendimento com a fragilidade humana.

Depois de uma temporada extraordinária em 2025, na qual marcou 14 gols e deu quatro assistências em 26 jogos, ela viveu a etapa mais difícil de sua vida.

Ao ser premiada como uma das melhores atacantes do Brasileirão 2025, a atacante revelou que uma depressão profunda a levou a pensar em abandonar o futebol, diante da pressão e do assédio nas redes sociais.

"O maior troféu que eu levanto hoje é estar vencendo a depressão e poder falar disso abertamente, mostrar esse lado humano do atleta que eu acho que a gente tem que normalizar e tem que ter o cuidado também", disse Byanca em entrevista ao Portal 1921.

- Posicionamento político -

Essa coragem de se mostrar vulnerável é a mesma que a impulsiona a romper a neutralidade dos esportistas em temas sensíveis.

Seu quinto gol na Libertadores, nas quartas de final contra o Libertad, do Paraguai, saiu no mesmo dia das eleições presidenciais no Brasil.

Depois de marcar de pênalti contra as paraguaias em Quito, Byanca comemorou formando um "L" com os dedos da mão direita, um símbolo de apoio ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva.

Lula, que em janeiro iniciará seu quarto mandato, sancionou este ano uma lei para tornar o futebol feminino uma "prioridade" na política pública do país.

"Eu escolho sempre falar, me posicionar, dar bom exemplo porque eu acho que isso, lá na frente, vai fazer outras atletas também se posicionarem", disse ela após a classificação do Cruzeiro para a semifinal da Libertadores.

M.Langthaler--SbgTB